terça-feira, 10 de novembro de 2009

CHUVA

costurados ao
céu
algodões
engravidam de escuro

por mentirem o sol

terça-feira, 6 de outubro de 2009

A TARDE CAIRÁ CINZENTA

Proferiu Goebbels ao ativar a fornalha.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

TEXAS, 1963

Blasfemava, enquanto o crânio regurgitava os miolos do marido, não contra as diretrizes da política bélica e nem da fragilidade republicana - como o fizera horas atrás - mas pela demora em lhe providenciarem um balde.

BAILAVA EM SEU PEITO UMA CRUZ

Na cadência das estocadas que impunha ao sacristão.

terça-feira, 21 de julho de 2009

SERTÕES

É Pedra que, à luz do dia, transpira e faca que, educada em pedra, emoldura a tripa.

É sede do barro costumeiro.

É o batalhar dos calos sob o reflexo solar dourado do fado.

É Lampião que, co’os pés trincados, pernambuca de chão a chão.

É tal qual o vento trafega a poeira, que sapeca o couro e dança o facheiro, esquenta o sol cajado e o cangaceiro.

É cordel cantoria, é língua quente, que afia o facão co’água ardente.

É bala sertão no catingueiro, é matéria sofrida da morte morrida, é carcaça passante de vaga-vida na ginga poeira que sec’a flor.

sábado, 6 de junho de 2009

CAMA

O soluço abafou, não conteve as lágrimas.
Não pela invalidez das pernas, a ineficiência do pau. Mas pelo gozo contido, disfarçado, da esposa que se contorcia deitada ao lado.
Fingiu o sono.

Nem dos seus dedinhos ela se servia mais.

FALAVRA*

de Guimarães
tatuei Rosa
mas não me entenderam
o traço

não importa

nos espinhos
descobri que sangro
em latim







* título tomado da obra de Gilberto Mendonça Teles